segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Muito ou pouco treino!?

Ao longo dos anos de experiência na área de treinamento e saúde vi e treinei alguns alunos e atletas que nos alertam para a linha tênue entre fazer muito ou pouco, em termos de exercício físico, em particular trabalho de força e resistência nas academias.

Recentemente acompanhei alguns casos onde o volume e intensidade de treino passaram do limite que o corpo suportava naquela fase de treinamento. Um exemplo disso é o caso de um aluno de 40 anos que apresentou dor no arco do pé, que havia sido causado provavelmente pela realização exacerbada de séries de avanços, agachamentos, saltos e corridas. O que ele realmente desenvolveu no seu pé (segundo diagnóstico médico) era uma tendinite do tendão flexor longo do hálux, o que foi causado pelo impulsos repetitivos de movimentos do tipo (plantar) necessários nestes exercícios. Para ele a série de exercícios apresentou um desafio à sua estrutura muscular intrínseca e extrínseca do pé, que ainda não estava pronto para enfrentar, ou seja, ele fez muito em pouco tempo.
No mesmo dia eu vi outro caso, um homem, 40 anos com dor lombar causada por uma mudança de casa no fim de semana depois de ter retornado de um vôo longo. Esse indivíduo não treina frequentemente, e para ele os movimentos repetitivos de flexão de coluna para pegar caixas, após sair de um vôo longo criou um cenário desfavorável para sua coluna e muito favorável para lesão.
Ainda na mesma semana outro caso, homem 33 anos, que apresenta o joelho saudável, nesse caso meu aluno, teve um leve edema causado provavelmente por excesso de volume e intensidade de treinos nos membros inferiores utilizando ainda mudanças de terreno em uma frequencia muito alta.
Após esse caso tive que parar para reavaliar todo o histórico e planejamento de treino do aluno que apresentou uma resposta diferente do que estava programado por mim.

"A testosterona é um hormônio de recuperação. Nossa testosterona libera corpos (anabolizantes) para construir o tecido e também nos permitem recuperar do stress."

Então, isso nos leva ao conceito de adaptação do tecido. Todos os tecidos do nosso corpo tem tempo para se adaptar a uma carga progressiva. Tendões, músculos, tecidos conectivos, estruturas comuns, tais como cartilagem e osso. Se fizermos muito pouco não há estímulo para a adequação dos tecidos que degeneram. Portanto, eles são mais propensos a lesões. Se fizermos muito e muitas vezes, sem o devido repouso, a recuperação não ocorre plenamente para a tensão aplicada ao tecido.
Lesões podem ocorrer. Vemos isso todos os dias em situações de treino. Precisamos aplicar uma carga de alto nível para ganhar uma resposta adaptativa em força, resistência, velocidade e habilidade, mas nem sempre os alunos estão conscientes de que se fizer muito, vão se machucar e ficar fora de treino e competições por um período de tempo.

Então, quanto é suficiente?

A capacidade de formação de um indivíduo é determinada por muitos fatores. Genética, a história da formação corporal no passado, histórico de lesões (tecidos já enfraquecidos), programa de treinamento, fatores de estresse, tais como trabalho / prazos / família / filhos. O que todos esses fatores podem efetivamente determinar é o equilíbrio entre os dois hormônios, testosterona e cortisol. A testosterona é um hormônio de recuperação. Nosso corpo libera testosterona (anabolizante) para construir o tecido e também permite recuperar o estresse. Cortisol (catabólico) é liberado em resposta ao estresse - físico (exercício / doença), emocional, social. Então, se alguém se adapta e melhora com o treinamento ou cai em uma espiral de overtraining e lesões isto é regido pelo equilíbrio entre testosterona e cortisol. (Volume x Intensidade x Repouso)

Portanto, devemos maximizar a testosterona e minimizar o cortisol. Essa é a eterna chave para o treinamento ideal, a relação volume intensidade de todos as variáveis e seus devidos intervalos.

Busque um treinador, planeje seu treino e não esqueça, PRATIQUE MOVIMENTO.

Prof. Carlos Kucera

TEXTO ADAPTADO DE Chris Mallac

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